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quinta-feira, dezembro 17

O Silêncio e a Prece

Eu estou aqui, de pé esperando
A próxima queda dos penhascos
Que eu um dia escalei
E hoje me fazem sumir na poeira

Você não me pede mas quer que eu me cure
Das feridas que os teus sorrisos causaram
Tuas mãos sujas de outros corações
Enquanto eu me perdia na tua ausência

Arrastar a minha vida para o desespero
Me prender num quarto de espelhos
E esperar que o monstro criasse forma
Mas hoje, como uma piada de mau gosto
É você quem está nervosa

Dúvidas que eu não posso tirar
Que pecado que é amar?

O dia nunca acabou
E você quer ir embora
Mesmo sabendo que eu preciso
Do que você tem aí no peito decotado

E novamente eu te vejo partir
O silêncio me faz companhia
E as preces que te fiz nunca se cumprem

Esperando, em vão, você um dia me amar
Douglas Teixeira

quarta-feira, outubro 21

Verde Esperança

Eu já to de partida
Desse peito que nunca se fez meu
Eu já vou em ruína
Porque meu eixo sei que se perdeu

Traduzi tuas frases
Mudei o tom da tua pele
E desafinei tua pulsação
Sem arranhar o violão

Divide os sonhos que vão chegar
E se preocupa que horas eu vou colocar
aquele casaco quando esfriar
Seria incoerente não me apegar

Você comprou aquela escova de dentes
Mas besteira não devo pensar
Mesmo rápido demais
É estranho eu já me acostumar

Você estampa um desejar
Mas insiste em se afastar
Dorme rápido pra não lembrar
Que ainda estava lá a te abraçar

Me deixa entrar no teu labirinto
E dançar nos teus caminhos
A insanidade é nosso berço
Deixa o mundo perdido lá fora

Você reclama da hora em que surgi
Não esqueça que pela tua mão eu parti
E agora me pergunto quanto tempo leva
Pra apagar o teu olhar da minha memória

Não pedi mais do que um copo d’agua
E uma chance pra te fazer feliz
Douglas Teixeira

segunda-feira, setembro 28

Dez Segundos

Questionei tua carícia em demasia
E com medo de querer de novo
Eu quis te ter por mais dez segundos
E quem sabe por mais dez mil anos

Recobrei minha sanidade
Quando mirei teu olhar tão longe
Tal brilho faltou pra polir a nossa espada
Que findava esses dragões da elegância
Baforando o que não são, voando sem direção

Então deixa eu voltar
Pro instante do teu beijo
E me trancar no teu abraço
Sussurrando novamente, quero só mais dez segundos
Douglas Teixeira

O Vidro

Vidro deixa claro o que o antecede
E da areia permite cristalizar o mundo
Mas sozinho não lhe vêem
Pois carregar a beleza de guardar o mundo em dois lados
Trás a fraqueza de pouco suportar da vida
Os pesos dos corpos escuros
Fatigados da relva de mentiras que criamos
Destaca-se o vidro então, sob uma rachadura
Permitindo o mundo ver seu desespero
Ante o afago da morte eminente
Douglas Teixeira

sexta-feira, agosto 28

Paz

A manhã acordou devagar sobre seu corpo
Iluminou o que era dor
Com o Sol ainda gelado, eu te cobri

Cobri das verdades que nos envolve
Esperei, sentado no lado da cama, teu sono voltar
Pra quando despertar, terás de mim uma boa lembrança
E o Sol vai estar te abraçando outra vez

Que a paz te encontre um dia.

Douglas Teixeira

quinta-feira, junho 11

Vagando em Vagões

Não sabia que seria assim querida
Que na sua dança eu pisaria
E no teu vinho me perderia

As noites se despediram do meu sono
E meu sono levou embora as forças de mudança
E nada tirou você daqui de dentro

Fui em busca do que eu não tinha em você
E lá eu vi que meu coração segue rédeas
Já que os afagos do mundo não se alcançam teu carinho

Falhei em trilhar teus rumos
Pois teus vagões pertencem ao mundo
E já é tarde para o maquinista lembrar o meu nome

Estou só na escuridão que é te amar
Questionando se houveram dias de clarão
E lembro de um só sorriso que geramos

Sua dor é de me ver caído
Bastava o canto do teu olhar
Mas então percebo, que a tua culpa é por não me amar

Douglas Teixeira

quarta-feira, fevereiro 11

Solo


Colho lágrimas minhas neste campo desolado
Pois o amor não floresceu em tão linda primavera

Recolha os anseios do varal
E deixe morrer o que há de partir
A chuva banha a dor, a dor que me abraça

As flores calaram suas pétalas diante do vento
Antes uma brisa aconchegante,
agora um corte uivante

Embaralho os caminhos que um eu tracei
Meus passos em titubear amaciam o solo indefeso
Rego em lágrima ou monto arado?

O Sol se enfraqueceu e teme iluminar o dia empoeirado
E o fim de mim é como um gole de libertação
Seduzindo um velho alcoólatra

Douglas Teixeira 

terça-feira, dezembro 16

O Beco

Tolo fui em buscar um destino que não me cabia
Findei-me num beco estreito
Que aperta o peito que reluta em bater
Lateja uma esperança tola
De que um amanhecer ainda há de surgir
Quisera eu terminar tudo em um só gesto

Vomitar meus calvários com um gutural grito de agonia

Douglas Teixeira

sexta-feira, agosto 22

Letargia

Despeje teu âmago sobre minha alma
Devolverei com a eternidade de devaneios
Perpétuos olhares que só tua alma é capaz de decifrar

Na melodia do teu gemido
Perco o compasso da realidade
E visto-me de uma insanidade visceral
Que aqui dentro adormecia
Mas só tu és capaz de despertar

Com a carne já exposta, rasque-me
E parta para não mais voltar
Pois a solidão será meu alento
Imerso em letargia, estarei no fim de mim então

Douglas Teixeira

terça-feira, junho 17

Delírio Luar

Indubitável crença de que pensamentos surgem ao nuance do luar
Quem sabe as estrelas não podem contar os reinos soturnos
Que borbulham pela mente já sem rumo
E no florescer da manhã tudo renasce ao verso – avesso –

Cabe ao ser o tom da dúvida, ou é ego rasgando sua pronuncia?
De crer ser melhor por perguntas fazer, sem senso do tamanho ludibriar
Vamos em tortura até as repostas dúbias, turvas

De que a vida é tão breve quanto intensa. 
Douglas Teixeira

quinta-feira, maio 29

Traços do Limite

Não sei se há limite para o mundo
Ou se é apenas a nossa necessidade de se proteger do incerto, do inacabado
Talvez seja uma natureza delimitar - inquietante dentro de nós -
É como quando nascemos, a morte é a única certeza, o limite

Queria mesmo era encontrar aqueles versos fugazes
Que intrigavam meus pensamentos e delineavam meu mundo
Mas hoje sou só um homem, um homem só
Esperando, a cada dia, um novo amanhã

Tão pouco fiz para mudar as coisas, eu diria
Faria sentido se fosse verdade, cara consciência
Só que os ventos sopraram sempre ao contrário
E a força do amor manteve a flor de pé, até agora.

Eu era tudo que queria ser até ontem
E ontem vi que tudo que queria era estar longe de mim
Para não me ver tropeçar no limite da razão

E assim me reencontro com os cercados da vida
Esperando o Sol raiar com a liberdade.

Douglas Teixeira

quarta-feira, setembro 11

Entre Aspas / Poema de Ônibus

Sim, você é livre agora

para poder voar no horizonte, até que seus créditos acabem
para poder ver o Sol se por, até que o ônibus faça a próxima curva
para esticar-se sobre a grama, sintética
para sentir o cheiro de todas flores, mortas por um buquê
para ouvir os pássaros cantando, o canto de quem perde o ninho
para se atirar nas águas mundo à fora, até a placa de imprópria para banho

Quem sabe também, você seja livre para chorar pelo mundo, que sutilmente vai se esvaindo da sua janela, até  que suas configurações de privacidade sejam burladas...
Douglas Teixeira

sexta-feira, maio 10

Na Beirada

As cinzas daquela lareira esboçam o fogo que ali se fez vivo. Enquanto o pó sobre a mesa revela que há muito não se faz útil. As porcelanas que brilhavam pela sala, agora parecem implorar por uma queda, que as liberte da angustia de não serem mais notadas.

A madeira range baixo ao caminhar, e o polimento deu espaço para os traços de podridão.

Até mesmo o calor que o Sol trazia fora esquecido, restando aquela nuvem solitária, que permite uma luz entristecida adentrar, como um coração que aguarda por sua ultima batida. 

E lá, sentado, havia o homem que encolhia seus ombros, pois seus olhos sem cor, sem brilho, sem lagrimas, ainda permitiram que observa-se o quadro do fim.

Final que lentamente acompanhava os ponteiros do relógio, trazendo consigo os pesares de uma vida imersa em rancor, inveja e egoísmo. E assim o rancor apertou seu peito, a inveja secou sua garganta, e o egoísmo o foi o único que o abraçou, no seu suspiro final.


Douglas Teixeira

domingo, fevereiro 10

Extremos

Estrelas se apagam sob a escuridão de pensamentos
que o dia deixou escapar, e o Sol não pode curar
Rios de destinos opostos cruzam a linha da sanidade
e a sede aumenta, de qual água devo beber?
Douglas Teixeira

segunda-feira, janeiro 14

Saudade

Entre os ponteiros do relógio
Ela perambula nos corredores que são
Esses pensamentos meus
Pensar que antes havia controle
Pensar que antes fazia sentido
Cabia tudo dentro de meu peito
Contido em desesperador controle
Todavia é tardio meu alarmar
Pois como uma onda que invade a praia
Nada pode parar essa angústia que é
Sentir a tua falta esperando o tempo passar
Douglas Teixeira

terça-feira, setembro 18

Ela

Covarde olhar insinuante
Que aperta meu peito a medida que se aproxima e
Com sorriso vermelho arranca-me a razão
Quietude que se desfaz, chama que se insurge

Ela canta meu pecado eminente em seus braços
Serena no caminhar que me guia à perdição
Eu clamo que os lençóis revelem sua forma
Serei a sua vítima essa noite, e sempre

Respirando o perfume desta rosa-espinho
Perdendo aos poucos os limites do gozo, da dor
Rasgando minha alma para escapar de sua trama
Perdido estou, com a marca dela em meu âmago

Lance seu lábios-de-fel em minha boca seca
Finde a angústia do homem que te deseja e te teme
Lace o seu mais querido cordeiro e então
Faça da sua existência o fim da minha, querida Morte
Douglas Teixeira

domingo, agosto 26

Devaneio em Branco

O que ser se não crer? O que não fazer se não querer? O que encontrar se não desejar? Então seria completo, então seria irreal, então seria nada. Seria apenas uma gota de humanidade em meio à um deserto de desespero. Seria pó em longa estrada, seria vento que não germina nada. Quisera eu viver de delírios em sonho eterno, com olhar manso e sorriso doce, mas estou no mundo de afagos de ego e escarros de amor, portanto sou criança cega no trato com a dor.
Douglas Teixeira 

segunda-feira, julho 16

Venha

Venha com todos os seus sentidos aguçados, levando a perda completa dos meus. 
Venha com as luzes apagadas, iluminar minha alma que brilha em teu desejo. 
Venha absorver a minha dor! E das lágrimas que eu deixar cair, transformar em sorrisos que eu não conseguirei fugir. 
Venha do jeito que você é e sorria! Sorria para que meu dia cinza acabe colorido. 
Venha suave como algodão e eu a terei doce. 
Ajeite-se em meus braços, que te guardam em meu coração, que te prendem em minha memória.  
E lembre-se sempre: rejeite-me quando eu perder o controle, pois no alvorecer antecedido pela tempestade eu retornarei diminuto em tuas mãos, perdido em pedaços, um quebra-cabeça que só você pode montar


Assim eu lhe digo: venha logo.
Douglas Teixeira

sexta-feira, julho 6

Noites sujas, noites limpas

Parte I
               A noite ensurdece com sua pronuncia calada, com suas esquinas vermelhas abraçando os embriagados, com suas calçadas imundas sujando os ainda puros, com seus postes dando luz à imaginações de qualquer um que teme encontrar seu grande amor, ou findá-lo. 
               O calor da noite, capaz de derreter o cubo de gelo que percorre a carne já em chamas, implorando pelo o gemido final, na esperança de trancar os pensamentos para que eles não acordassem ao amanhecer, se o amanhecer vier. 
               Quando aquela luz do Sol vai embora - aquela luz que dá vida ao dia, soberana e solitária, de presença inevitável e força invejável - é justamente quando ela descansa que as sombras revelam dentre brumas dos cigarros e o acender das tragadas o ser não tão humano, animado pelo animal interno, descontrole inerente que sempre adormece a mente. É nesse momento, no apagar das luzes, que deixamos de ser conscientes.
E ela acabou de abrir os olhos...
Douglas Teixeira 

quinta-feira, junho 14

Cego e Certo

Do teu caminhar a se insinuar, do teu olhar a me encantar, da tua boca a me beijar, da tua mão a me segurar, da tua voz a me chamar, temo o dia em que tudo irá por fim chegar, titubeante mas nunca errante, o destino daquele que é tão cético quanto incerto, espera-o cego e certo.
Douglas Teixeira