A noite ensurdece com sua pronuncia calada, com suas esquinas vermelhas abraçando os embriagados, com suas calçadas imundas sujando os ainda puros, com seus postes dando luz à imaginações de qualquer um que teme encontrar seu grande amor, ou findá-lo.
O calor da noite, capaz de derreter o cubo de gelo que percorre a carne já em chamas, implorando pelo o gemido final, na esperança de trancar os pensamentos para que eles não acordassem ao amanhecer, se o amanhecer vier.
Quando aquela luz do Sol vai embora - aquela luz que dá vida ao dia, soberana e solitária, de presença inevitável e força invejável - é justamente quando ela descansa que as sombras revelam dentre brumas dos cigarros e o acender das tragadas o ser não tão humano, animado pelo animal interno, descontrole inerente que sempre adormece a mente. É nesse momento, no apagar das luzes, que deixamos de ser conscientes.
E ela acabou de abrir os olhos...
Douglas Teixeira
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