domingo, julho 9

Hoje

Hoje é só mais um dia
Que eu vivo longe de ti
Hoje é um daquelas manhãs
Que eu abro o peito pra sentir
Aquela falta descabida
De olhar no teu olho
Pra fugir do mundo

Hoje vai ser mais um dia
Dos tantos outros cambaleantes
Esbarrando nos beijos alheios
Daqueles lábios que copiam teu sorriso
Copiam teu cheiro, copiam teu gemido
Mas sob a luz da manhã
Iluminam aquela ferida que carrega teu nome

Hoje eu vou ali na esquina viver
Embreagado pelo samba que a vida toca
Hoje eu vou me arriscar
Dançar uma última música que era só nossa
Hoje eu vou madrugar
Pra exaurir o corpo que ainda insiste em te amar
por Douglas Teixeira

quinta-feira, dezembro 17

O Silêncio e a Prece

Eu estou aqui, de pé esperando
A próxima queda dos penhascos
Que eu um dia escalei
E hoje me fazem sumir na poeira

Você não me pede mas quer que eu me cure
Das feridas que os teus sorrisos causaram
Tuas mãos sujas de outros corações
Enquanto eu me perdia na tua ausência

Arrastar a minha vida para o desespero
Me prender num quarto de espelhos
E esperar que o monstro criasse forma
Mas hoje, como uma piada de mau gosto
É você quem está nervosa

Dúvidas que eu não posso tirar
Que pecado que é amar?

O dia nunca acabou
E você quer ir embora
Mesmo sabendo que eu preciso
Do que você tem aí no peito decotado

E novamente eu te vejo partir
O silêncio me faz companhia
E as preces que te fiz nunca se cumprem

Esperando, em vão, você um dia me amar
Douglas Teixeira

segunda-feira, dezembro 14

Amar é o certo

Eu nunca soube amar em doses homeopáticas! Me espanta esses muros que a vida força as pessoas a erguerem para se proteger dos bombardeios de mentiras e desilusões. Minha vida se resume à sentimentos intensos o suficiente para atordoar qualquer um mais “centrado”. As aspas são reflexo do que eu não consigo compreender, afinal, amar menos, comedir-se em expressões não ditas e gestos calados, é como entrar no mar só até os joelhos, como mastigar sem engolir, andar, mas com uma perna só. Centrar-se quando a assunto é amor, não é viver de verdade. 
Douglas Teixeira 

quarta-feira, outubro 21

Verde Esperança

Eu já to de partida
Desse peito que nunca se fez meu
Eu já vou em ruína
Porque meu eixo sei que se perdeu

Traduzi tuas frases
Mudei o tom da tua pele
E desafinei tua pulsação
Sem arranhar o violão

Divide os sonhos que vão chegar
E se preocupa que horas eu vou colocar
aquele casaco quando esfriar
Seria incoerente não me apegar

Você comprou aquela escova de dentes
Mas besteira não devo pensar
Mesmo rápido demais
É estranho eu já me acostumar

Você estampa um desejar
Mas insiste em se afastar
Dorme rápido pra não lembrar
Que ainda estava lá a te abraçar

Me deixa entrar no teu labirinto
E dançar nos teus caminhos
A insanidade é nosso berço
Deixa o mundo perdido lá fora

Você reclama da hora em que surgi
Não esqueça que pela tua mão eu parti
E agora me pergunto quanto tempo leva
Pra apagar o teu olhar da minha memória

Não pedi mais do que um copo d’agua
E uma chance pra te fazer feliz
Douglas Teixeira

segunda-feira, setembro 28

Dez Segundos

Questionei tua carícia em demasia
E com medo de querer de novo
Eu quis te ter por mais dez segundos
E quem sabe por mais dez mil anos

Recobrei minha sanidade
Quando mirei teu olhar tão longe
Tal brilho faltou pra polir a nossa espada
Que findava esses dragões da elegância
Baforando o que não são, voando sem direção

Então deixa eu voltar
Pro instante do teu beijo
E me trancar no teu abraço
Sussurrando novamente, quero só mais dez segundos
Douglas Teixeira

O Vidro

Vidro deixa claro o que o antecede
E da areia permite cristalizar o mundo
Mas sozinho não lhe vêem
Pois carregar a beleza de guardar o mundo em dois lados
Trás a fraqueza de pouco suportar da vida
Os pesos dos corpos escuros
Fatigados da relva de mentiras que criamos
Destaca-se o vidro então, sob uma rachadura
Permitindo o mundo ver seu desespero
Ante o afago da morte eminente
Douglas Teixeira

sexta-feira, agosto 28

Paz

A manhã acordou devagar sobre seu corpo
Iluminou o que era dor
Com o Sol ainda gelado, eu te cobri

Cobri das verdades que nos envolve
Esperei, sentado no lado da cama, teu sono voltar
Pra quando despertar, terás de mim uma boa lembrança
E o Sol vai estar te abraçando outra vez

Que a paz te encontre um dia.

Douglas Teixeira