sexta-feira, maio 10

Na Beirada

As cinzas daquela lareira esboçam o fogo que ali se fez vivo. Enquanto o pó sobre a mesa revela que há muito não se faz útil. As porcelanas que brilhavam pela sala, agora parecem implorar por uma queda, que as liberte da angustia de não serem mais notadas.

A madeira range baixo ao caminhar, e o polimento deu espaço para os traços de podridão.

Até mesmo o calor que o Sol trazia fora esquecido, restando aquela nuvem solitária, que permite uma luz entristecida adentrar, como um coração que aguarda por sua ultima batida. 

E lá, sentado, havia o homem que encolhia seus ombros, pois seus olhos sem cor, sem brilho, sem lagrimas, ainda permitiram que observa-se o quadro do fim.

Final que lentamente acompanhava os ponteiros do relógio, trazendo consigo os pesares de uma vida imersa em rancor, inveja e egoísmo. E assim o rancor apertou seu peito, a inveja secou sua garganta, e o egoísmo o foi o único que o abraçou, no seu suspiro final.


Douglas Teixeira

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