quinta-feira, junho 11

Vagando em Vagões

Não sabia que seria assim querida
Que na sua dança eu pisaria
E no teu vinho me perderia

As noites se despediram do meu sono
E meu sono levou embora as forças de mudança
E nada tirou você daqui de dentro

Fui em busca do que eu não tinha em você
E lá eu vi que meu coração segue rédeas
Já que os afagos do mundo não se alcançam teu carinho

Falhei em trilhar teus rumos
Pois teus vagões pertencem ao mundo
E já é tarde para o maquinista lembrar o meu nome

Estou só na escuridão que é te amar
Questionando se houveram dias de clarão
E lembro de um só sorriso que geramos

Sua dor é de me ver caído
Bastava o canto do teu olhar
Mas então percebo, que a tua culpa é por não me amar

Douglas Teixeira

quarta-feira, fevereiro 11

Solo


Colho lágrimas minhas neste campo desolado
Pois o amor não floresceu em tão linda primavera

Recolha os anseios do varal
E deixe morrer o que há de partir
A chuva banha a dor, a dor que me abraça

As flores calaram suas pétalas diante do vento
Antes uma brisa aconchegante,
agora um corte uivante

Embaralho os caminhos que um eu tracei
Meus passos em titubear amaciam o solo indefeso
Rego em lágrima ou monto arado?

O Sol se enfraqueceu e teme iluminar o dia empoeirado
E o fim de mim é como um gole de libertação
Seduzindo um velho alcoólatra

Douglas Teixeira 

terça-feira, dezembro 16

Frases #20


Delineada são as curvas do destino 
Que flertam com fim e o início de tudo
Douglas Teixeira

O Beco

Tolo fui em buscar um destino que não me cabia
Findei-me num beco estreito
Que aperta o peito que reluta em bater
Lateja uma esperança tola
De que um amanhecer ainda há de surgir
Quisera eu terminar tudo em um só gesto

Vomitar meus calvários com um gutural grito de agonia

Douglas Teixeira

sexta-feira, agosto 22

Letargia

Despeje teu âmago sobre minha alma
Devolverei com a eternidade de devaneios
Perpétuos olhares que só tua alma é capaz de decifrar

Na melodia do teu gemido
Perco o compasso da realidade
E visto-me de uma insanidade visceral
Que aqui dentro adormecia
Mas só tu és capaz de despertar

Com a carne já exposta, rasque-me
E parta para não mais voltar
Pois a solidão será meu alento
Imerso em letargia, estarei no fim de mim então

Douglas Teixeira

terça-feira, junho 17

Delírio Luar

Indubitável crença de que pensamentos surgem ao nuance do luar
Quem sabe as estrelas não podem contar os reinos soturnos
Que borbulham pela mente já sem rumo
E no florescer da manhã tudo renasce ao verso – avesso –

Cabe ao ser o tom da dúvida, ou é ego rasgando sua pronuncia?
De crer ser melhor por perguntas fazer, sem senso do tamanho ludibriar
Vamos em tortura até as repostas dúbias, turvas

De que a vida é tão breve quanto intensa. 
Douglas Teixeira

quinta-feira, maio 29

Traços do Limite

Não sei se há limite para o mundo
Ou se é apenas a nossa necessidade de se proteger do incerto, do inacabado
Talvez seja uma natureza delimitar - inquietante dentro de nós -
É como quando nascemos, a morte é a única certeza, o limite

Queria mesmo era encontrar aqueles versos fugazes
Que intrigavam meus pensamentos e delineavam meu mundo
Mas hoje sou só um homem, um homem só
Esperando, a cada dia, um novo amanhã

Tão pouco fiz para mudar as coisas, eu diria
Faria sentido se fosse verdade, cara consciência
Só que os ventos sopraram sempre ao contrário
E a força do amor manteve a flor de pé, até agora.

Eu era tudo que queria ser até ontem
E ontem vi que tudo que queria era estar longe de mim
Para não me ver tropeçar no limite da razão

E assim me reencontro com os cercados da vida
Esperando o Sol raiar com a liberdade.

Douglas Teixeira