segunda-feira, fevereiro 20

O Ator

De porta trancada e janelas fechadas
Ele pensa estar seguro
Abri-la vai obrigá-lo a lutar contra seus medos
Por que correr o risco de vencê-los?

Ele aperta o coração com as próprias mãos
Porque do corpo já não tem mais controle
Tenta se desprender da imagem
Pintada pelos outros, pelos cegos

Na natureza encontra renovação - limpo novamente
No homem encara contradição - sujo como sempre
São as palavras evasivas e sorrisos forçados
Que afastam seu essência

Além da máscara existe alguém
Bate um coração, tão acelerado quanto calmo
Pensa uma mente, tão perversa quanto pura
Vive um ser, tão qualquer quanto único

Almeja um dia fechar as cortinas dessa peça
E seguir na vida, sem rumo, sem roteiro
Despedir-se do passado e abraçar o futuro
Enfrentar de frente o que é diferente

A morte cedo o encontra e ele entrega seu corpo, sua alma
Pois tudo que sente é alívio e arrependimento
Por deixar pra trás o personagem que carrega
Por deixar pra trás a vida que não vive
Douglas Teixeira

Nenhum comentário:

Postar um comentário