domingo, março 25

Delírio

O sorriso dela se mescla com as luzes da boate
Às vezes doce azul, às vezes provocante vermelho
O cinzeiro transbordando de cigarros esmagados
Me faz lembrar daquilo que eu mato a cada instante
E eu quero mais um maço...

Meu coração acompanha as batidas daquela música
Meu olhar acompanha o balançar de seu quadril
Minhas mãos acompanham as dela
Percorrendo todo seu corpo, sua alma

Ela quer me dizer algo que eu não quero ouvir
Fito seus olhos e mordo seus lábios
Esperando ela se esquecer de tudo
E simplesmente se entregar ao desejo
De ser tudo e nada para alguém, por uma noite

No táxi de volta para casa ela percebe
Que a cidade adormecida esconde uma inquietude
Da janela do carro seu olhar se perde entre as luzes dos postes
Procurando em cada curva um sentido na vida
E ela só quer que o carro não pare, o vento precisa soprar

Com um quebra-molas o mundo real a acerta
Seus cabelos bagunçados agora são arrumados
Pelas mesmas mãos que antes passeavam sobre meu corpo
E agora, sóbrias, conferem se tudo esta no seu devido lugar
Só restam lembranças daquele Martini, daquele beijo
Daquele delírio...
Douglas Teixeira

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