Cada dilema em sua vida, o levava a formular equações incoerentes,
e gradativamente a ciência cercava suas fugas dos sentimentos, do humano que
ele inevitavelmente era. Dentro de suas músicas encontrava um campo vívido
repleto de lírios, onde sua colega de colegial caminhava descalça com um vestido
curto e um sorriso doce. Aqueles olhos azuis nunca saíram da lembrança do
franzino rapaz que mesmo depois de dez anos, ainda teme os valentões e
populares, as rejeições.
"Ele aprendeu a se desconectar de tudo com as melodias das guitarras, entretanto desaprendeu a viver na sintonia da realidade."
O olhar profundo fixa a chuva do outro lado do vidro,
deixa estampado aquele que teve muito a viver, porém encolheu-se diante do
mundo, e mesmo que sua barba tenha crescido, sua pele tem as marcas das
espinhas... O temor de doar-se numa relação o faz encontrar nas camas e
calcinhas alugadas, um gosto amargo de não ser mais criança.
Sua ótica é de que todos riem dele; apenas um garoto espinhento, com saudade da
mamãe e apaixonado pela garota do quarterback, ele não passa de um rato de
livros. Seu pensamento é de que o mundo não é feito de “sins e
nãos”, mas de vergonhas e derrotas. Sua mente funciona bem com a lógica, mas
não encontrou o caminho mais fácil de levar a vida. Ninguém o ensinou que a verdade
não é sempre tão boa quanto ruim.
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