“Quem ama perdoa sempre. Eu farei tudo por
você, tudo por amor.”
Perdoem-me
os apaixonados, mas isso não é amor, no mínimo não é algo saudável. Os mais
ávidos vão praguejar (em defesa do amor) me chamando de desalmado, desiludido
ou que sou mais um homem canalha sedento por sexo, bem, não é nada disso. Amar
é sim perdoar, compreender e aceitar, mas existe uma única coisa que vem antes
do amor pelo outro: o amor-próprio. Não vejo beleza em que, por exemplo, um
homem dispõe-se a morrer pela amada, como nas produções hollywoodianas, vejo alguém sem
amor-próprio. Muitas décadas já se passaram e a definição para amor nunca foi
encontrada, talvez devido ao modo diferente com que cada pessoa tem de
expressá-lo ao próximo. Minha intenção não é definir o amor a dois, e sim
tentar explicar que o amor-próprio pode te prevenir de dores quase eminentes
numa relação amorosa.
Há oito
anos um casal esta junto, passaram por brigas de família, ela se formou e ele
conseguiu um bom emprego, ambos sonham com uma bela casa e um casamento como
manda o figurino. Ele traiu ela quando completavam dois anos de namoro, com sua
ex, depois disso transou com uma colega de trabalho, anos mais tarde ele
encontrou uma velha amiga, com quem também foi pra cama. Ele a ama muito, e o
ponto não é discutir o porquê dele realizar tais traições, mas como ELA suportou tudo isso? Porque ela não
vive sem ele? Porque perdoa por amor? Acredito que ela esqueceu de si mesma,
oprimindo sua dignidade e orgulho por um sentimento que julga ser amor, e mesmo
que seja, não é algo que a faz bem.
Existe
também aquele casal onde o homem é o pau-mandado,
primeiramente poderia se dizer que ele não tem amor-próprio, afinal de contas
sua mulher coordena até seu sono. Nesse ponto entra uma questão importante: a felicidade. Um relacionamento
assim pode não parecer saudável, talvez não seja para muitos, porém ambos estão
realmente felizes. Pra onde foi o amor-próprio então? Bem, amor-próprio e
felicidade estão bem próximos, se você não tem o primeiro, dificilmente não vai
ter o segundo. Um “coordenado” pode sim estar feliz por doar-se para sua amada,
se ele não sofre com isso, então não há problema, mesmo que muitos o vejam como
sofredor.
Nessa
altura alguns podem se perguntar, afinal de contas o que é amor pra esse
babaca? Bem, a sua capacidade de amar você mesmo possibilita uma relação ainda
mais saudável com outra pessoa, da qual você também ama muito. Amar é
compartilhar alegrias e tristezas, aperfeiçoar-se para a relação, mas não mudar
pura e simplesmente porque o outro deseja. Parece fácil, mas quando choros e
dramatizações do parceiro te “exigem” uma mudança forçada, bem, cabe a você ter
amor-próprio ou esse “amor além de você mesmo”.
Douglas Teixeira
Nenhum comentário:
Postar um comentário